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  • Foto do escritor: comunicacao felina
    comunicacao felina
  • 17 de mai.
  • 3 min de leitura

(Esse texto não é sobre felinos, mas uma expressão/ comemoração ao dia #17demaio de 1990 - data em que a homossexualidade saiu da lista de doenças - #diainternacionaldecombateahomofobia )


Às pessoas dispostas a se olhar no espelho, com toda sua nudez de corpo e pensamentos.


E no espelho observar (porque somos animais do olhar): todas nossas cicatrizes as boas e as más, a maciez e a dureza, a beleza e a feiúra, as insatisfações e projeções, expressões e falas. 


Ahh a linguagem!!!! somos também animais de vasto poder de comunicação. Talvez por esse poder lapidado em gerações nos auto denominamos como os animais inteligentes, Homo sapiens sapiens. Os civilizados, nos diferindo dos bárbaros, dos selvagens, dos incultos, iletrados.


Quem definiu isso tudo? 

Quem definiu quem eram os selvagens? 

Quem se denomina civilizado?

Quem usou do poder para determinar tudo isso?

Quem estruturou esse poder e a linguagem para que o padrão fosse do animal bípede que possui o falo? 


Não, esse não é mais um texto feminista e LGBTQIA+ sobre o quanto a nossa sociedade foi lapidada, trucidada e assassinada para que o padrão servisse cativo ao atual homem civilizado. Já estamos cansadas de ser espelho dessa violência. Violência nada gratuita, e muito bem orquestrada para que na monocultura das mentes e corpos o ideal seja de um espécime branco e magro, cercado de benefícios. Já existem na nossa história de humanidade inúmeros ensaios, livros e teses que debatem esse tema com muito mais ciência, argumentação e referências do que essa micro-conversa de uma espécime nem tão branca, nem tão magra e sem tantas benesses.   


E nesse lugar descentralizado, de um possível expurgo do que seria uma cidadã modelo de sociedade civilizada, estamos nós. Nós que não cabemos nesse centro monocromático de ideais.


Nós que durante muito tempo tivemos e temos que utilizar signos/símbolos para conseguir nos olhar no espelho do olhar da outra. Usar nossos neurônios espelho para saber que existimos. 


Signos esses sempre motivo de piada: o sapato grande e teoricamente "masculino", sapatões! Quanta vergonha e medo eu tive dessa palavra. Quantos anos de conversa entre amigas-espelho para me curar desse mal do uso da linguagem. 


Quanta coragem foi necessária para hoje com tanto orgulho eu me rotular/espelhar como lésbica, sapatão, sáfica. Quanto caminho foi caminhado em leituras, em conversas, em existência para que na nossa empresa hoje isso possa ser dito, tanto para acolher, quanto para espelhar. 


Não porque faça alguma diferença aos clientes animais que atendemos, nem porque faça diferença aos clientes humanos.


Mas porque faz sentido político, e tudo é político nessa civilização inventada. Ainda que não mude o mundo, muda a mim mesma, muda o micro-cosmo de quem se dispõe a se relacionar profissionalmente com a gente. Seja como cliente, seja como amiga, amigos, admiradores, apoiadores, parceiras, famílias multiespécies, seguidores.. Aumenta a margem, mostra caminhos possíveis, é espelho!


E nosso espelho não é tão monótono e padrão, nossos espelhos distorcem, nossos espelhos quebrados, descascados, policromáticos, quebram padrões e expectativas. Nossos espelhos comunicam, iluminam e refletem luzes multicoloridas. Não é a toa que o símbolo maior de toda a comunidade LGBTQIA+ é um arco íris. Símbolos importam, linguagem importa, datas importam!


Arco íris na ilha do mel
Arco íris na ilha do mel


Nosso símbolo que na natureza se cria na presença/ oposição de chuva e sol (são mesmo opostos?) 

Quando foi a primeira vez que você viu um arco-íris se formar no céu? 

Quanto foi emocionante olhar esse fenômeno óptico da natureza, que na refração de uma cor atravessando gotículas de água-espelho, refletem 7 cores magníficas  visíveis em formato de arco? 

Será que as outras espécies conseguem ver esse fenômeno?

Qual será a explicação sináptica-hormonal do arco-íris para diferentes espécies de uma floresta biodiversa? 


Porquê só uma narrativa humana é validada e tida como certa? Porquê só o que vemos e reconhecemos como parte de nós tem valor? Porquê o divergente incomoda? Porquê tanto medo da diversidade de narrativas e existências? 


Hoje em dia, não basta ter um@ amig@ LGBTQIA+ e continuar ouvindo/ fazendo piadinhas sobre pessoas trans e outras existências.


Não basta não ser racista, temos que ser anti-racismos!

Não basta não ser homofóbico, temos que ser anti-homofobia!

Não basta não ser machista, temos que ser anti-machismos!

Não basta não ser capacitista, temos que ser anti-capacitismos!


Termino esse texto sem terminar nada. Usando a linguagem para questionar o padrão, comunicar a existência, agradecer a resistência, e comemorar mais um ano essa data tão significativa: 17 de maio de 1990 - nossa existência deixou de ser considerada uma doença! 

Isso, como bem sabemos, não transformou magicamente a humanidade, não nos tornou dignos de afeto e dos direitos iguais aos do centro "social e civilizado", mas nos permitiu e permite abrir mais caminhos na margem, outros caminhos a outros caminhantes...continuem a caminhar...


"As ferramentas do senhor nunca derrubarão a casa grande"  - Audre Lorde

 
 
 

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